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Estranho esta forma de solidão. Não sei reconhecer-me nela, ou em mim. Talvez seja também eu solidão, e uma solidão nunca se reconhece noutra solidão. Mas eu não estou só, tenho dentro de mim um outro ser, alguém que chora e ri, alguém que eu reconheço e desconheço, alguém que me acompanha nas insónias e nas memórias.
II
Dentro de mim vive um bicho estranho. Um bicho que sangra. Um bicho que geme. Um bicho com fome de bicho. Fome de ser e sentir.
Um bicho que eu tento calar, que eu tento matar. Um bicho que eu amo profundamente.
E profundamente meu, ele grita…
III
Dói-me a barriga.
IV
Os corvos vivem em bandos com estrutura hierárquica bem definida e formam, geralmente, casais monogâmicos. A sua alimentação é omnívora e inclui pequenos invertebrados, sementes e frutos. São aves que apresentam um comportamento complexo e que exibem sinais de inteligência, planeamento e comunicação entre indivíduos. Na mitologia, os corvos são vistos geralmente como portadores de maus presságios, devido à sua plumagem negra e hábitos necrófagos. Dentro da simbologia alquímica, o corvo manteve sempre uma certa representação alegórica da solidão.
V
Onde estou e onde sou?
VI
Dentro de mim vive um bicho estranho. Um bicho com fome de bicho. Um bicho com fome de cor.
A vida é um bicho com fome de dor e de amor...
adoro este espaço e estas palavras.
obrigada.
F.
O corvo azul olhou ainda uma última vez para trás. Grasnou.
Novamente, antes de levantar voo.
A solidão era demasiada, o beiral do telhado já não comportava mais corvos pretos, cada um com sua mágoa.
Mas ele era um corvo azul, e sua mágoa especial.
Ele queria um beiral inteiro... só para si.
Assim, ele partiu.
Um óptimo fim de semana para ti...
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Visite a poesia dedicada da Madame Loba.
Papel pousado em branco...
Ando sentindo tanta falta deste chá.
Katyuscia.

